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domingo, 21 de agosto de 2011

A IMORTÂNCIA DA ARGUMENTAÇÃO NA ELABORAÇÃO DE TEXTOS

O fato de o ato de escrever ser um momento em que aquele que escreve se vê sozinho
frente ao papel, tendo em mente apenas uma imagem de um possível interlocutor, faz com que haja necessidade de uma maior preocupação em relação à coesão. Em geral, o aluno não sabe até que ponto deve explicitar o que tenta dizer para que se faça compreender. Entretanto, o "fazer-se compreender" é um ponto central em qualquer texto escrito; a coesão deve colaborar neste sentido, facilitando o estabelecimento de uma relação entre os interlocutores do texto. O que se busca não é um texto fechado em si mesmo, impenetrável a qualquer leitura e sim algo que possa servir como veículo de uma interação entre os interlocutores.

Há ainda mais uma questão em que se deve pensar na consideração das especificidades da modalidade escrita – a argumentação. É através dela que o locutor defende seu ponto de vista. A argumentação contribui na criação de um jogo entre quem escreve o texto e um possível leitor, já que aquele discute com este, procurando mostrar-lhe que tipo de idéias o levaram a determinado posicionamento. Dito de outra maneira, ao escrever um texto o locutor estabelece relações a partir do tema que se propôs a discutir e tira conclusões, procurando convencer o receptor ou conseguir sua adesão ao texto.

Não se pode traçar uma distinção absoluta entre coesão e argumentação: a coesão garante a existência de uma relação entre as partes do texto que tomadas como um todo devem constituir um ato de argumentação. As duas noções contribuem para a constituição de um conjunto significativo capaz de estabelecer uma relação entre o sujeito que escreve e seu virtual interlocutor.

É próprio da linguagem seu caráter de interlocução. A escrita não foge a esse princípio, ela também busca estabelecer uma relação entre sujeitos. O texto deve ser suficiente para caracterizar seu produtor enquanto um agente, um sujeito daquela produção, ao mesmo tempo em que confere identidade ao seu interlocutor. O texto, enquanto totalidade revestida de significados, acaba sendo um jogo entre sujeitos, entre locutor e interlocutor.

DURIGAN, Regina H. de Almeida et alli. A dissertação no vestibular. In: A magia da mudança – vestibular UNICAMP: língua e literatura. Campinas, Unicamp, 1987. p. 14-5.


COESÃO E ARGUMENTAÇÃO.
  O fato de o ato de escrever ser um momento em que aquele que escreve se vê sozinho frente ao papel, tendo em mente apenas uma imagem de um possível interlocutor, faz com que haja necessidade de uma maior preocupação em relação à coesão. Em geral, o aluno não sabe até que ponto deve explicitar o que tenta dizer para que se faça compreender. Entretanto, o "fazer-se compreender" é um ponto central em qualquer texto escrito; a coesão deve colaborar neste sentido, facilitando o estabelecimento de uma relação entre os interlocutores do texto. O que se busca não é um texto fechado em si mesmo, impenetrável a qualquer leitura e sim algo que possa servir como veículo de uma interação entre os interlocutores.
  
  Há ainda mais uma questão em que se deve pensar na consideração das especificidades da modalidade escrita – a argumentação. É através dela que o locutor defende seu ponto de vista. A argumentação contribui na criação de um jogo entre quem escreve o texto e um possível leitor, já que aquele discute com este, procurando mostrar-lhe que tipo de idéias o levaram a determinado posicionamento. Dito de outra maneira, ao escrever um texto o locutor estabelece relações a partir do tema que se propôs a discutir e tira conclusões, procurando convencer o receptor ou conseguir sua adesão ao texto. 
Não se pode traçar uma distinção absoluta entre coesão e argumentação: a coesão garante a existência de uma relação entre as partes do texto que tomadas como um todo devem constituir um ato de argumentação. As duas noções contribuem para a constituição de um conjunto significativo capaz de estabelecer uma relação entre o sujeito que escreve e seu virtual interlocutor. 
  É próprio da linguagem seu caráter de interlocução. A escrita não foge a esse princípio, ela também busca estabelecer uma relação entre sujeitos. O texto deve ser suficiente para caracterizar seu produtor enquanto um agente, um sujeito daquela produção, ao mesmo tempo em que confere identidade ao seu interlocutor. O texto, enquanto totalidade revestida de significados, acaba sendo um jogo entre sujeitos, entre locutor e interlocutor. 
DURIGAN, Regina H. de Almeida et alli. A dissertação no vestibular. In: A magia da mudança – vestibular UNICAMP: língua e literatura. Campinas, Unicamp, 1987. p. 14-5.

PERGUNTAS 
1) Procure no texto expressões que expliquem o significado das palavras SUJEITO e INTERLOCUÇÃO.
2) Na produção de textos escritos, há uma maior preocupação em relação à coesão. Quais são as causas disso?
 
3) Qual a importância do "fazer-se compreender" nos textos escritos?
 

4) Releia atentamente o primeiro parágrafo e responda: qual deve ser a finalidade perseguida pelo produtor de textos escritos?
5) Qual a importância da argumentação na elaboração de textos escritos?
 

6) Como se relacionam coesão e argumentação?

7) Retire do texto passagens que explicam a frase: "É próprio da linguagem seu caráter de interlocução" (último parágrafo).

8) Explique a passagem: "O texto, enquanto uma totalidade revestida de significados...".
9) Explique o que você entende por "jogo entre sujeitos".
10) Releia atentamente o texto e responda:
a) Qual a relação de significado entre os dois primeiros parágrafos do texto? Há alguma palavra particularmente importante para o estabelecimento dessa relação?
b) Qual a relação de significado entre o segundo e o terceiro parágrafo?
c) Qual a relação de significado entre o terceiro e o quarto parágrafo?
d) Qual seria o esquema básico das idéias expostas no texto e do relacionamento entre elas?
11) Quando você produz textos escritos exerce conscientemente seu papel de sujeito num ato de interlocução? Comente sua atitude nessas situações.
Perguntas retiradas do livro: "Do texto ao texto", de Ulisses Infante, Editora Scipione, 1998.






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