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domingo, 22 de abril de 2012

Sintagma Nominal e Sintagma Verbal


A CLASSE DOS SINTAGMAS
Sintagma é uma unidade formada por uma ou várias palavras que, juntas, desempenham uma função na frase. 
A combinação das palavras para formarem as frases não é aleatória; precisamos obedecer a determinados princípios da língua. As palavras se combinam em conjuntos, em torno de um núcleo. E é esse conjunto (o sintagma) que vai desempenhar uma função no conjunto maior, que é a frase.
Leia os exemplos:
O turista                                            viajou.
O jovem turista estrangeiro           viajou de trem.
Aquele jovem turista                       viajou de trem para São Paulo.                                      
Nenhum turista                                viajou de trem para São Paulo ontem.
O turista estrangeiro                       viajou.
O turista e sua família                     viajaram.     
A unidade sintagmática é considerada um agrupamento intermediário entre o nível do vocábulo e o da oração. Desta maneira, um ou mais vocábulos se unem (em sintagmas) para formar uma unidade maior, que é a oração.
Os vocábulos que compõem a unidade sintagmática se organizam em torno de um núcleo; dependendo do núcleo, podemos falar em sintagma nominal e sintagma verbal.
"Chama-se sintagma uma sequência de palavras que constituem uma unidade (sintagma vem de uma palavra grega que comporta o prefixo sin-, que significa com, que encontramos, por exemplo, em simpatia e sincronia). Um sintagma é uma associação de elementos compostos num conjunto, organizados num todo, funcionando conjuntamente. (…) sintagma significa, por definição, organização e relações de dependência e de ordem à volta de um elemento essencial. "
(Dubois-Charlier. Bases de Análise linguística)
O especialista não respondeu todas as perguntas.
O especialista        não respondeu todas as perguntas.
sintagma nominal                                 sintagma verbal
O especialista         não respondeu           todas as perguntas.
sintagma nominal              modificador + verbo          sintagma nominal
O especialista           não respondeu          todas as perguntas.
det. + núcleo nominal         advérbio + núcleo verbal      det. + det. + núcleo nominal

Diferentes vocábulos que pertencem a um mesmo sintagma desempenham, dentro dele, funções distintas: no sintagma nominal, por exemplo, o nome substantivo que funciona como núcleo pode ser determinado por artigos, pronomes e numerais e modificado por adjetivos, locuções adjetivas e/ou orações subordinadas adjetivas. Desta maneira, é evidente que existe, dentro do sintagma, uma organização em que os vocábulos, dependendo de sua posição e da relação que estabelecem entre si, desempenham diferentes funções.
As unidades sintáticas da língua (sistema de unidades hierarquizadas) apresentam-se sob a forma de palavras, sintagmas, orações e são relacionadas por um conjunto de mecanismos formais. Conforme Azeredo (1990),
"A estrutura gramatical do português comporta vários níveis. O morfema é a menor unidade dessa estrutura; e o período, a maior. Acima do nível dos morfemas acha-se o dos vocábulos; acima deste, o dos sintagmas, a que se superpõe o das orações. Assim, temos: PERÍODO, ORAÇÃO, SINTAGMA, VOCÁBULO, MORFEMA. "
Leia o poema de Cecília Meireles e observe os níveis de estruturação do enunciado:
Texto 1
                           Colar de Carolina
Com seu colar de coral,
Carolina
corre por entre as colunas
da colina.

O colar de Carolina
colore o colo de cal,
torna corada a menina.

E o sol, vendo aquela cor
do colar de Carolina,
põe coroas de coral

nas colunas da colina.
(Cecília Meireles)
Comentário sobre o texto 1
Neste poema, a autora faz um jogo de palavras, tirando proveito principalmente do aspecto sonoro. Os diversos níveis a que nos referimos acima podem ser apontados no texto:

nível do período            O colar de Carolina
                                          colore o colo de cal,
                                          torna corada a menina. 

nível da oração              O colar de Carolina
                                          colore o colo de cal /
                                          torna corada a menina. 

nível do sintagma          O colar de Carolina (SN)
                                          colore o colo de cal (SV)
                                          torna corada a menina (SV)

nível do vocábulo           Com/ seu/ colar/ de/ coral / Carolina / corre /
                                           por/ entre/ as/ colunas / de/ a /colina. 

nível do vocábulo            O / col/ar / de / Carolina /
                                           color/e / o / col/o /de/ cal/,
                                           torn/a / cor/a/d/a /a/ menin/a. 

As gramáticas descrevem os níveis da oração e do período no âmbito da sintaxe e os níveis do morfema e do vocábulo, no âmbito da morfologia. No entanto, geralmente não tomam conhecimento do nível do sintagma - intermediário entre vocábulos e oração. E, como mostra Azeredo:
"... os vocábulos não se unem para formar a oração do mesmo modo que os gomos se unem para formar uma laranja. Os vocábulos não formam a oração senão indiretamente. Eles se associam em grupos, os sintagmas, que são os verdadeiros constituintes da oração."
Com o poema "Colar de Carolina", podemos exemplificar esses conceitos: diversos vocábulos que se organizam em blocos, os sintagmas, para então formarem orações.
O que nos interessa mais de perto é exatamente esse nível intermediário, o sintagma, essa espécie de ponte entre os vocábulos e a oração. Surgem então algumas perguntas:
Como reconhecer um sintagma?
Basta haver mais de um vocábulo para existir sintagma?
Como são formados os sintagmas?
Há mais de um tipo de sintagma ou apenas um?
Todas as classes podem formar sintagmas?

Outras perguntas podem aparecer, mas, por enquanto, vamos tentar responder a essas que nos parecem mais prováveis de ocorrer. Vejamos.
 No livro Iniciação à sintaxe (Azeredo: 1990), encontra-se uma boa resposta para a primeira questão: Como podemos reconhecer um sintagma? Segundo o autor, três são as maneiras de isolar as unidades que constituem a oração, ou seja, os sintagmas: o deslocamento, a substituição e a coordenação.
No livro A hora dos ruminantes, de José J. Veiga:
"A noite chegava cedo em Manarairema. Mal o sol se afundava atrás da serra - quase que de repente, como caindo - já era hora de acender candeeiros, de recolher bezerros, de se enrolar em xales. A friagem até então contida nos remansos do rio, em fundos de grotas, em porões escuros, ia se espalhando, entrando nas casas, cachorro de nariz suado farejando."
A primeira frase vai nos servir para explicar com clareza a questão levantada.
A noite chegava cedo em Manarairema.
Qualquer um de nós rejeitaria ou perceberia como estranhas as sequências formadas pelos mesmos vocábulos, porém agrupados assim:
*Noite a chegava cedo em Manarairema.
*Em chegava noite a cedo Manarairema.

No entanto, podemos trocar a posição de alguns grupos de vocábulos da frase inicial, sem prejuízo da compreensão:
Chegava cedo em Manarairema a noite.
Em Manarairema a noite chegava cedo.

Essa inversão da ordem é possível porque mantivemos os grupos (A noite, em Manarairema), mudando, apenas, sua posição. Essa possibilidade de deslocamento prova que cada grupo é um sintagma. Além disso, podemos fazer substituição de sequência por unidade simples:
A noite chegava cedo em Manarairema.
Ela chegava cedo em Manarairema.

A noite chegava cedo em Manarairema.
A noite chegava cedo lá.

Aqui também estamos diante de sintagmas: a possibilidade de substituição por unidades simples.
Finalmente, podemos usar um elo coordenativo e que vai mostrar a união de duas unidades do mesmo nível. (Como professor e aluno, serra e mar...) Teremos então:
A noite e a escuridão chegavam cedo em Manarairema.
em que "a escuridão" é equivalente a "a noite" e por isso pode substituí-la:
A escuridão chegava cedo em  Manarairema.
Assim, reconhecemos um sintagma por meio do deslocamento ou mobilidade, da substituição por unidades simples e da coordenação. Por outro lado, apesar de nos referirmos a "grupo de vocábulos", o sintagma pode também ser formado de um só vocábulo, como em:
Manarairema vai sofrer a noite.
Manarairema esperou impaciente.

Portanto não basta haver um vocábulo para existir sintagma, nem é necessário mais de um vocábulo para haver sintagma.
Como são formados os sintagmas?
Há mais de um tipo de sintagma ou apenas um?
Todas as classes podem formar sintagmas?

As três perguntas acima estão intimamente relacionadas, por exemplo, se alguém pergunta: "Como são formados os sintagmas?" - a resposta provavelmente será: - Depende do tipo de sintagma. Daí concluímos que há mais de um tipo. Ou então, se a pergunta é: "Todas as classes podem formar sintagmas?" - responderíamos que as classes de vocábulos entram na formação dos sintagmas, mas a participação não é igual; há classes que são núcleo, outras determinantes, outras modificadores, depende do tipo... e assim por diante.
Por tudo o que foi dito até agora, é possível afirmar que:
· podemos reconhecer a classe dos sintagmas;
· há procedimentos para provar a sua existência;
· há mais de um tipo de sintagma;
· os vocábulos se unem para formar sintagmas;
· os sintagmas formam a oração.

Convém lembrar que a natureza do sintagma depende do seu núcleo. Assim, temos, em português, duas classes de sintagmas: o sintagma nominal (SN) - que tem o nome como núcleo - e o sintagma verbal (SV) - que tem o verbo como núcleo. Funcionando como modificador de um ou de outro, temos o sintagma preposicionado.

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