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sexta-feira, 11 de março de 2011

O que você sabe sobre a língua portuguesa? Um texto para discussão


Flor do Lácio agredida

A última flor do Lácio nunca provavelmente sofreu tantas agressões da parte de quem ela deveria zelar, como instrumento de comunicação e ferramenta cultural. É claro que, desde tempos imemoriais, as línguas se intercomunicam e se interinfluenciam, mutuamente, predominando, nesse processo, os idiomas dos povos politicamente dominantes. Talvez a única exceção seja a influência da língua e da cultura grgas sobre o latim e Roma; independentemente de, em sua época áurea, o Império Romano ter sido a potência dominante no Mediterrâneo, que os romanos chamvam de mare nostrum (nosso mar). Línguas e culturas enriquecem assim. Mas nós nos referimaos é ao menosprezo pelo nosso idioma, elo básico cultural, histórico; a ponto de falarmos mal e escrevermos pior.
Convenhamos que regras gramaticais podem ser e, frequentemente são, em qualquer língua, arbitrárias, instrumento como qualquer outro, de poder e dominação. Uma coisa é exigir concordância do sujeito com o verbo; outra é exigir que se escreva 'se eu vir' em vez de se 'eu ver', ou mudar periodicamente as regras de acentuação. Esse autoritarismo não pode servir de pretexto a negligências. E é o que está acontecendo no Brasil com a língua portuguesa. Primeiro, o estudante foi privado de preciosas ferramentas de organização do pensamento e de intimidade com a língua, ao se abolir das escolas o ensino da filosofia, do latim e do grego. Mas recentemente, o nosso idioma viu-se entregue a certos 'comunicadores' que lhe declaram gurra, isso em nível nacional, trazendo para o Nordeste os muitos vícios de linguagem de São Paulo e do Rio, e levando para lá os nossos.
Acrescente-se a isso a queda da autoestima do brasileiro, que leva pais de crianças a dizer com orgulho, a comadres e compadres, coisas como 'meu filho só sabe cantar múiscas americanas'. Se a criança se acostuma, desde os bancos escolares, a acreditar que a única coisa importante é falar bem o inglês, conhecer a história dos Estados Unidos, ir, pelo menos uma vez na vida, à Flórida (como os muçulmanos peregrinam a Meca); vai ser difícil, assim, prender sua atenção no estudo de português e no conhecimento da nossa história, geografia etc.
A gente anda pelo Recife e acredita estar em Nova Iorque, não fossem trombadinhas, crateras, veículos ensandecidos. só encontra medical centers, em vez de clínicas, shopping centers, em vez de centros comerciais, e por aí vai. Uma coisa é você simplesmente maquear expressões estrangeiras, outra é você pegar uma palavra estrangeira e aportuguesá-la, como temos feito, através de nossa evolução linguística, milhares de vezes, com termos de origem árabe, francesa, inglesa, africana, indígena etc. como xerife, abajur, lorde, forrobodó, açu e tantas outras tão familiares aos brasileiros.
Outra novidade que contribui para esta situação preocupante é a perda do hábito de leitura. Se a pessoa não lê não sabe escrever corretamente as palavras nem pronunciá-las. A escrita é atributo humano universal, como a fala, a língua; é uma técnica que precisa ser ensinada de geração a geração. É a base da comunicação moderna. Nos EUA, que podem ser um bom modelo em muitas áreas, o computador, a informática, a Internet, não acabaram com o hábito da leitura. Isso porque, nas escolas e nos lares, as crianças são estimuladas a ler e pensar.
JORNAL DO COMMERCIO - 23/O3/2001

Sugestões para o trabalho em aula:

- Roda de leitura

- Fórum de debates

- Alguns tópicos: . Defesa do bom uso do nosso vernáculo.

. Referências históricas pertinentes.

. Mudanças no currículo escolar, contribuição para o empobrecimento da cultura

. A invasão aleatória e desregrada de termos escritos em inglês no Brasil revela

falta de autoestima e subserviência ao americano.

. Contribuições linguísticas no ensino da língua.

- Mediar o debate.

- Em grupos, montar esquemas para exposição dos diferentes pontos de vista.

- Produto final: produção escrita (conclusões)

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