Só pesquisam com prazer os que pretendem aprender, os que sabem que a leitura só lhes ajuda a crescer e aprendem a caminhar tendo bom discernimento, aprimorando a cultura, buscando conhecimento.
terça-feira, 19 de abril de 2011
AVENTURA PEDAGÓGICA
sábado, 26 de março de 2011
SECRETARIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO - UFPE
CENTRO DE ESTUDOS EM EDUCAÇÃO E LINGUAGEM - CEEL
CURSO DE ATUALIZAÇÃO EM PRODUÇÃO DE TEXTOS NA ESCOLA
PRODUÇÃO TEXTUAL: MITO OU DESAFIO?
Relato apresentado ao Prof. Ms. Jorge Lira,
como requisito para a conclusão do curso
de Produção de Textos na Escola.
Manoel Joaquim da Silva
Recife - PE
Dezembro/2009
Prof. Manoel Joaquim da Silva
Escola de Referência em Ensino Médio de Timbaúba
Timbaúba-PE - 3ª série do Ensino Médio
O trabalho com produção de textos na escola é bastante questionado sobre como fazê-lo, que metas devem ser traçadas e para que servem estes textos.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Em um país onde a educação ainda deixa a desejar, é de se temer pelo que de mais ruim ainda possa estar por vir. O Exame Nacional do Ensino Médio(Enem), aplicado no Brasil por vários anos nunca apresentou tantos transtornos - ou se aconteceram não se tomou conhecimento - como os que aconteceram em 2009 e 2010.
O fato tem transformado a vida de milhões de estudante num tremendo inferno. Estes que são cidadãos e protagonizam a sua história, são também conscientes de seus direitos e deveres. Diante da situação, revoltam-se e clamam por justiça mas quase não são ouvidas as suas reivindicações. Mesmo assim não devem ficar parados diante de tantas injustiças. Chega de corrupção. A educação não deve ser vista como mero objeto e sim como algo de muita preciosidade. A vida toda ela só aparece como "bonita", "perfeita", "importante" nos momentos de campanhas eleitorais (ou eleitoreiras?). Fica com os leitores a interrogação. Todos sabem que educação é base para a cidadania, portanto deve ser encarada com seriedade.
Como o Enem a partir de 2009 mudou para beneficiar todas as classes sociais fazendo valer o direito de igualdade, garantido-lhes a entrada na universidade, é de se imaginar que ele vem sendo sabotado porque abalou as "indústrias" que "fabricam robozinhos" com uma visão focada para o isolamento de determinados pontos de um conteúdo apenas, e ainda por cima sem a devida contextualização. E desta forma os estudantes vão sendo desrespeitados.
Se por um lado o Enem é marcado por erros absurdos, por outro ainda há também o Sisu (site congestionado), uma vergonha. Se a tecnologia existe para facilitar a vida das pessoas, falando-se do Sisu, é o contrário, o site só atrapalha e estressa.
Não adianta o MEC e o Inep quererem se isentar da culpa. Afirmam que o estudante errou dizendo por exemplo "ele não pintou a cor da prova" (é verdade que isto pode acontecer), mas não esclarecem as dúvidas quando um(a) estudante coloca que em uma prova onde acertou mais obteve nota inferior a da prova onde acertou menos. Com isto não se consegue entender tantas barbaridades, coisa feia, que degrada ainda mais a imagem do Brasil.
O MEC e o Inep precisam rever suas falhas e assumi-las publicamente discutindo e tentando buscar possíveis soluções. Se há alguém que não tem culpa da elaboração de provas com quesitos e cartões trocados, correção e divulgação de notas erradas não são os estudantes. Eles merecem respeito!
Manoel Joaquim da Silva - Professor
sábado, 12 de março de 2011
Menino de Engenho
"Menino de Engenho"
Era 11 de setembro de 1959, em um lar humilde, casinha de taipa no Engenho Sociedade, município de Timbaúba - PE, nasci. Cresci com os meus pais não alfabetizados mas trabalhadores e honestos, verdadeiros espelhos para minha vida.
Aos 6 anos de idade me colocaram na escola, não sei bem se era uma escola mas era uma casa onde uma senhora começou a ensinar-me na carta de ABC. Lembro-me do seu nome, Crizelite (madrinha Nita), por ser comadre e vizinha dos meus pais. Com ela comecei a aprender as primeiras letras, as primeiras palavras, as primeiras frases.
Meu pai admirava cantadores de viola e na feira livre, aos domingos, quando via eles cantando, vendendo seus folhetos, não deixava de comprá-los. Em casa, sentado ao meu lado, ele ouvia toda a leitura, se eu errasse logo falava que não era daquele jeito que se lia aquela história mas quando acertava ele alegre dizia: Poi num é qui meu fio sabe lê de mermo". Assim comecei a gostar da leitura sem saber que aquilo era literatura de cordel da qual gosto até hoje.
Um certo dia a madrinha Nita falou para o meu pai: Cumpade, compre o 1º livro Nordeste para esse minino! E ele com poucas condições, trabalhador da palha da cana fez um esforço e comprou o livro. Depois veio o 2º, o 3º e o 4º livro, todos Nordeste. Li e reli todos mais de uma vez, fiz tantas cópias das lições que aprendi também a gostar de escrever.
Todas as noites, à luz do candeeiro, lia a lição do dia para meus pais, só não sei quantas palavras errava, pulava ou não sabia ler ainda, mas como eles não entendiam, gostavam de tudo o que ouviam.
Passei a escrever cartas para familiares e a pedidos da vizinhança, não sei se o texto ficava claro, mas sei que a letra era feia, porém sentia prazer ao fazer isto.
Um dia tomei um susto. A madrinha Nita que me ensinara durante tantos anos foi morar em outro engenho, fiquei triste sem saber com quem iria continuar estudando ou se era hora de acabar com um sonho.
Meus pais me encaminharam para outra professora, D. Mauricéa, com esta fiquei pouco tempo. Ela dizia que eu já sabia muito, lia tudo e que precisava de alguém que soubesse muito mais. Trabalhei na roça, na casa de farinha manual, experimentei cortar cana, só nunca estudei numa escola de ensino regular.
Mais tarde veio a Natália (Ná), jovem, cursando o 3º ano de magistério para dar aulas aos filhos dos moradores do engenho, eu já tinha 15 anos e todo feliz fui estudar novamente. Ela tinha uma maneira diferente de ensinar, andava na sala, falava, rezava, cantava, escrevia no quadro, olhava tudo o que se fazia. Tinha um caderno de anotação, um de classe, um de casa, outro de prova, era tudo diferente. Como os alunos estavam sendo alfabetizados e eu já sabia mais, ela me ensinava de outra forma, levava outros livros para eu estudar, os meus deveres eram diferentes. A turma era multisseriada e eu continuava empolgado. Comecei a admirar a professora, sem pensar que mais tarde ingressaria na mesma carreira.
Esta professora, também amiga da família começou a convencer meu pai de que eu não podia parar de estudar. Ele sem condições lamentava não poder mas ela aos poucos foi lhe convencendo até que ele lhe passou toda a responsabilidade sobre mim. Ela sem demora providenciou a documentação, conseguiu vaga, assinou matrícula e presenteou-me com o primeiro caderno de matérias para começar.
Era fevereiro de 1976, aos 16 anos de idade estava eu de pé na estrada caminhando 7km para chegar na escola da cidade. Ao chegar fiquei envergonhado pelos cantos, era um prédio grande, muita gente correndo, gritando, conversando, as aulas tinham começado havia uma semana. O diretor já sabia da minha história, logo percebeu quem eu era e levou-me para a sala de aula. Fiquei na turma dos fora de faixa e me senti atordoado no meio de tantos estranhos. Não entendia o toque nem também porque a cada sinal saía uma professora e chegava outra, uma falava de um jeito, outra de outro e assim era a manhã inteira. Minha timidez aumentava.
Comecei a perceber que teria que entender tudo aquilo, do contrário a situação pioraria.
Lembro-me da colega ao lado, Maria das Graças (Gracinha), a primeira pessoa que falou comigo. Suas primeiras palavras foram: "Tu chegasse agora, isso aqui é o horário. Toma, copia." Tudo seria mais claro se eu soubesse o que era horário. Calado, tracei aqueles quadros e comecei a copiar. Logo percebi que aquilo era o que cada professora ensinava, passei a entender o que se chamava de matéria. Venci a primeira etapa passei a me relacionar com os colegas e fui conquistando a amizade deles e a admiração das professoras. Ficava fascinado pelas aulas de Ciências e Português.
Cheguei a 8ª série, conclui o 2º grau sem nunca ter passado pelo pavor da reprovação. Meus pais simples mas felizes foram a minha formatura (dezembro de 1982), data que não apago da mente. Entrei no espaço da solenidade de paletó e gravata conduzido por Natália e nervoso com os aplausos. Fui o orador da turma.
Fiz vestibular no mesmo ano, passei para Biologia, entrei para a universidade sem nenhuma condição e meu pai mais uma vez preocupou-se ao ponto de dizer "quero ver como vai ser agora!" Buscou ajuda e eu mais uma vez aproveitei a oportunidade. Já era professor primário no mesmo engenho e no início do curso superior recebi o convite para lecionar Biologia na escola onde havia me formado, não recusei, enfrentei sem medo, o desejo de vencer e ter meios para estudar era muito forte. Neste período, já com emprego fixo, tomei outro susto, desta vez triste, perdi meu pai. Não desanimei, reergui a cabeça, reuni forças e prossegui. Veio o curso de letras, especializações e extensões.
Hoje, ao lado da minha mãe, dedico-me como posso ao que faço, gosto de ser professor e recordo a minha vida de "menino de engenho", não aquele menino de engenho de José Lins do Rego, mas aquele "matuto" que um dia sonhou, sofreu, lutou, acreditou e venceu.
Manoel Joaquim da Silva
(Recife-PE - Ago/2009)
Última Flor do Lácio
Uma breve análise.
Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia formam a tríade parnasiana. Acreditavam que o sentido maior da arte reside nela mesma, em sua perfeição e não no mundo exterior.
Observe o soneto de Olavo Bilac:
Língua Portuguesa
Última flor do Lácio inculta e bela
És a um tempo esplendor e sepultura
Ouro nativo que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto canglor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo teu viço agreste e teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: "meu filho"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênero sem ventura e o amor sem brilho!
1ª estrofe
- A última flor do Lácio é uma metáfora.
- A língua portuguesa foi a última língua neolatina fornada a partir do latim vulgar que era falado pelos soldados na região italiana do Lácio. Observe os adjetivos inculta e bela.
- Há um paradoxo: esplendor - uma nova língua estava ascendendo, dando continuidade ao latim; sepultura - a medida que a língua portuguesa se expande, o latim vai "morrendo", isto é, cai em desuso.
- Nos últimos versos o poeta exalta a língua que ainda não foi lapidada, em corporação às outras também formadas a partir do latim.
2ª estrofe
- É dada ênfase à beleza da língua em suas diversas expressões: emoções, louvores, etc.
3ª estrofe
- Percebe-se uma relação subjetiva entre o idioma novo recém-criado e o "cheiro agradável das virgens selvas". Isto caracteriza as florestas
brasileiras ainda não exploradas pelo branco. Manifesta a maneira pela qual
a língua foi trazida ao Brasil, através do oceano, numa longa viagem de
caravela ( ... de oceano largo).
- O idioma precisava ser moldado.
- Impor a língua a outros povos não era fácil. Implicava em destruir a cultura.
4ª estrofe
- Faz referência a Luís Vaz de Camões que consolidou a língua portuguesa com sua obra "Os Lusíadas", epopeia que conta os feitos grandiosos dos portugueses durante as "grandes navegações". Camões foi exilado aos 17 anos nas colônias portuguesas da África e da Ásia.
sexta-feira, 11 de março de 2011
O que você sabe sobre a língua portuguesa? Um texto para discussão
Flor do Lácio agredida
Sugestões para o trabalho em aula:
- Roda de leitura
- Fórum de debates
- Alguns tópicos: . Defesa do bom uso do nosso vernáculo.
. Referências históricas pertinentes.
. Mudanças no currículo escolar, contribuição para o empobrecimento da cultura
. A invasão aleatória e desregrada de termos escritos em inglês no Brasil revela
falta de autoestima e subserviência ao americano.
. Contribuições linguísticas no ensino da língua.
- Mediar o debate.
- Em grupos, montar esquemas para exposição dos diferentes pontos de vista.
- Produto final: produção escrita (conclusões)